Disciplina Positiva: dicas para pais e professores

Atualizado: Mar 4


Está na hora do jantar, mas o seu filho pede para assistir desenho no tablet. Como você está exausta e culpada por ter passado o dia todo trabalhando e longe dele, acaba deixando e pensa “quando ele tiver fome vai pedir a comida”.


No outro dia, a mesma situação acontece, só que dessa vez você sente como se ele estivesse passando dos limites e te controlando. Esse sentimento atrelado a todo o stress e correria do dia a dia faz com que você perca a paciência e grite com ele.


Horas depois você está se cobrando por ter agido assim e, para compensar a grosseria, atende ao próximo pedido sem hesitar. Mas daí, na sua cabeça, não para de martelar a frase “preciso impor limites”, e aí está formado o círculo vicioso.


A disciplina positiva defende o meio termo entre o autoritarismo e a permissividade. A educação é baseada no equilíbrio entre a firmeza e a gentileza, valorizando a empatia e a comunicação.


Para quem defende e aplica esse conceito, ser gentil significa respeitar a criança enquanto indivíduo, aceitando suas condições intrínsecas.


Entre os fundamentos da disciplina positiva, podemos destacar:

  • Ser amável e firme ao mesmo tempo;

  • Ajudar a criança a sentir-se aceita e importante;

  • Ensinar habilidades para a vida;


Você que está lendo esse artigo pode pensar “ok, muito bonito o conceito, mas na prática é muito mais complicado do que parece”. Concordo plenamente. Apesar de ainda não ter filhos, acompanhei o crescimento dos meus sobrinhos e sei que educar é um dos maiores desafios da vida.


Um dia desses, porém, conheci o perfil no Instagram “Maternidade Positiva”, da Educadora Parental Cinthia Andrade, e em um dos vídeos ela fala sobre duas dicas práticas que eu considerei viáveis. Vou dividir com vocês:


Escolhas limitadas: na hora de sair de casa, escolha duas opções de roupas para o seu filho e ele poderá decidir qual das duas ele quer colocar. Assim você evita que ele escolha um look totalmente inapropriado, mas dá a ele o direito de participar da escolha e de ter a sua opinião valorizada.

Faça mais perguntas, dê menos comandos: essa atitude incentiva a criatividade e ajuda a criança a desenvolver a capacidade de argumentação e de resolver problemas.

Pensando nos professores, fiquei instigada a pesquisar sobre como aplicar a disciplina positiva em sala de aula e descobri que uma das estratégias é envolver os alunos na busca ativa por soluções de problemas.


Veja uma ideia:

  • Separe um caderno grande e coloque-o em um local de acesso comum na sala de aula. Se na sua escola existe um laboratório de informática, dá para criar um arquivo junto dos alunos, imprimir e fazer um mural em sala.

  • Nesse caderno/mural, serão anotadas todas as situações problema que surgirem no dia a dia, bem como as soluções para cada situação. O objetivo é que todos sejam envolvidos e ouvidos, ou seja, a turma chegará a um consenso.

  • Por exemplo: os estudantes se desentenderam na fila do lanche? Anote no caderno/mural e instigue os alunos a pensarem em sugestões para resolver o problema.

  • Escreva tudo na lousa (até as resoluções que não pareçam viáveis) e proponha a eles que pensem juntos nos prós e contras de cada sugestão.

  • Após chegarem a um consenso, anote no caderno/mural a solução encontrada em conjunto e no dia seguinte, antes de irem para a fila do lanche, converse sobre como resolveram o problema para que ele não ocorra novamente.


Essa estratégia trabalha a capacidade de reflexão, colaboração e pensamento crítico, além de motivar o aluno, pois valoriza a sua participação.


No site www.disciplinapositiva.com.br você encontra muitas outras informações sobre esse modo de educar que, confesso, me encantou. A infância é um período de formação psíquica que deixará marcas atuantes no resto da vida do indivíduo. Ele precisa de limites, sim, mas também necessita de respeito e muito amor.


* Carolina Redlich Xavier é formada em Relações Públicas e é especialista em Gestão de Pessoas com Ênfase em Desenvolvimento Organizacional. Possui pós-graduação em Comunicação Corporativa, Marketing e Mídias e MBA em Gestão da Comunicação Integrada. Trabalha na área educacional há mais de cinco anos e atualmente é estudante de Psicanálise.



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