Educação Especial em tempos de pandemia: como incluir o aluno autista nas aulas on-line?

Veja dicas para inclusão e adaptação do aluno autista ao modelo de aula on-line.

O cenário de pandemia demandou uma série de iniciativas e adaptações no setor da educação. E ajustar-se a essas novidades e ao "novo normal" pode ser ainda mais desafiador para o aluno autista, que precisa de mais previsibilidade em sua rotina.

Assim, os alunos com Transtorno do Espectro do Autismo também devem receber atenção especial no replanejamento das aulas on-line, para se sentirem mais confortáveis, acolhidos, seguros e bem-vindos.


Cabe salientar que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) traz a necessidade de as escolas contribuírem para não haver preconceitos e se construir ambientes mais inclusivos e multiculturais. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) também divulgou recomendações tendo em visto a inclusão no ensino a distância.


Pensando nisso, neste artigo, confira algumas dicas de como incluir o aluno autista nas aulas on-line. Acompanhe a seguir.


1. Adaptação dos materiais didáticos para aluno autista e atualização do PEI


Secretarias e professores normalmente já trabalham com a adaptação de materiais didáticos para alunos com necessidades especiais. É importante que esse cuidado permaneça também em tempos de pandemia.


Por exemplo, alguns recursos com sons mais variados e vibrantes podem gerar uma sobrecarga sensorial que prejudicará a participação do aluno autista nas aulas on-line. É preciso atentar-se a esses detalhes, conversando com pais e cuidadores para compreender melhor o perfil, as necessidades, preferências e dificuldades do aluno autista, atualizando seu Plano Educacional Individualizado (PEI) para proporcionar as condições adequadas para sua inclusão, aprendizado e acolhida neste novo cenário.

2. Inclusão e adaptação ao modelo on-line


Mesmo para alunos neurotípicos que não estavam acostumados com aulas on-line, esse novo momento pode trazer desafios. Portanto é importante, primeiramente, promover uma adaptação e inserção dos estudantes autistas e não autistas nos meios de aprendizagem on-line.


Pode-se ir, gradualmente, apresentando novos recursos e iniciar as aulas por conversas e atividades mais familiares para facilitar esse processo inicial.


3. Cuidado com sobrecarga sensorial em videoaulas


Esse cuidado é válido também para os demais alunos. As comunicações mediadas por vídeo podem ser estressantes e demandar muito da atenção para manter-se o foco, especialmente quando há muitos elementos visuais ou sonoros "brigando" pela atenção do aluno.


É importante estabelecer regras, por exemplo, para o compartilhamento de tela, mensagens de texto e áudio durante a videoaula. Pode ser melhor evitar o uso da ferramenta de bate-papo nos momentos mais explanativos, já que ela pode atuar como distrações para o aluno autista e para o restante da classe.


Desativar o som dos alunos nesses momentos também pode ser útil pelo mesmo motivo, ativando o som conforme necessário. Mesmo em uma sala de aula on-line o excesso de barulhos e estímulos visuais pode levar a uma sobrecarga sensorial e cognitiva para o aluno processar tudo o que está acontecendo.


4. Estabelecimento de rotinas nas aulas on-line


Para o aluno autista, a rotina é reconfortante, ele se beneficia de ambientes previsíveis e estruturados com altos níveis de rotina, inclusive, para seu aprendizado.


Por isso, é importante desenvolver alguma estrutura estável para as aulas on-line - manter horário de início e de fim, intervalos, tempos para as atividades, etc.


5. Utilização de conteúdos e recursos visuais


O processamento visual pode ser favorecido nos alunos autistas. Assim, utilizar programações visuais pode ser positivo para sua adaptação às aulas on-line. Incorporar cronômetros visuais para ajudar as crianças a saberem quando uma atividade está chegando ao fim e é hora de passar para outra na programação também pode ser proveitoso.


Ainda, fornecer instruções de maneira visual, usando imagens, objetos ou animação, pode ajudar o aluno autista a processar as informações de uma forma mais eficiente e menos estressante.


6. Atenção à linguagem utilizada


Para a comunicação com o aluno autista, é recomendado utilizar uma linguagem objetiva e direta. As crianças autistas respondem melhor e de forma mais independente a instruções muito claras e livres de metáforas e outros recursos linguísticos que possam causar dubiedade.

7. Desenvolvimento de atividades estruturadas


Embora muitos alunos possam aprender por meio de atividades menos estruturadas, os alunos com autismo podem se beneficiar de atividades mais estruturadas, especialmente com preferência pelo processamento de informação visual e instrução explícita.


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