Acolhimento emocional x aplicação de conteúdo: o que priorizar?

O acolhimento emocional é peça-chave também para o desenvolvimento cognitivo. Descubra porque é tão importante priorizá-lo agora.

Há uma mobilização em todos os estados e redes quanto à retomada das aulas. Além de questões pertinentes aos protocolos sanitários e dos cuidados para evitar aglomerações e situações de risco, há um questionamento sobre qual abordagem seguir: foco em acolhimento emocional ou em aplicação de conteúdo.


Seja na sala de aula ou em casa, os alunos e professores precisam se sentir emocionalmente seguros, valorizados e cuidados. Embora ansiosas para determinar a lacuna e defasagem de aprendizagem, as escolas devem primeiro priorizar a medição do clima escolar, alavancando a aprendizagem social e emocional para construir bases importantes para a aprendizagem cognitiva.


Com o aprendizado social e emocional em primeiro plano, os educadores concentram seus esforços no fortalecimento dos relacionamentos com cada aluno e na construção de uma comunidade mais resiliente, forte e integrada, por meio de estratégias de acolhimento e reengajamento.


Continue a leitura e compreenda porque é tão importante antepor o acolhimento emocional à abordagem conteudista neste momento.


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Acolhimento emocional: por que é importante priorizá-lo na retomada?


Este é um momento que demanda priorização dos aspectos emocionais da equipe pedagógica e dos alunos. Afinal, há cerca de um ano que enfrentamos um quadro totalmente atípico, que deixamos de conviver mais proximamente com amigos, colegas e, mesmo, com ambientes educacionais. E os impactos da pandemia na esfera socioemocional de todos não pode ser desconsiderado.


José Ramón Gamo, neuropsicólogo infantil, defende que nosso "cérebro precisa de emoções para aprender”. Sem um equilíbrio socioemocional, sem termos acolhimento, o aspecto cognitivo para assimilação de conteúdos poderá ser bastante prejudicado.


Por isso, é importante trabalhar para que as equipes e os estudantes tenham, primeiro, acolhimento emocional, que consigam restabelecer segurança e estabilidade em seus sentimentos e emoções, que tenham afeto e apoio para que, a partir dessa base, os processos de ensino-aprendizagem possam ocorrer da melhor maneira.


Aqui, podemos lembrar de que essa priorização não vai contra a missão da escola, seus objetivos e responsabilidades: afinal, a educação integral, considerando e trabalhando não apenas a dimensão cognitiva, como também a emocional e social, é prevista na BNCC.


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Acolhimento emocional do professor é essencial para que o aluno sinta-se acolhido


Os professores passaram e ainda enfrentam muitos desafios. Eles foram demandados a se adaptarem, por vezes, sem tempo preparatório ou recursos adequados, e, mais uma vez, estarão à frente para que o retorno às aulas ocorra da melhor maneira para alunos e suas famílias.


Assim, se o professor também não tiver o acolhimento emocional de que precisa, como ele poderá acolher os alunos? Não podemos dar o que nós mesmos não temos, não é mesmo?


Por isso, lembre-se de oferecer o apoio e acolhimento para que a equipe pedagógica consiga lidar com suas ansiedades e inseguranças e estar à frente desse movimento de retomada com saúde mental e equilíbrio emocional.


Esse reencontro entre educadores e educandos demandará do docente criatividade e sensibilidade para readequar também suas práticas pedagógicas, especialmente em termos de avaliações diagnósticas e metodologias, e promover laços, mesmo diante desse cenário no qual toque e proximidade física não são recursos disponíveis para demonstrar acolhimento.


E, para que tudo isso ocorra, será fundamental que gestores e coordenadores estejam abertos e disponíveis para ouvir e apoiar os professores, trabalhando em parceria.


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Como promover o acolhimento emocional nas escolas e redes?


Acolhimento está relacionado a apoio, amparo, conexão. Por meio dele, estabelecem-se relações e vínculos e, também, a confiança e segurança emocional. Para acolher, é preciso demonstrar abertura ao próximo e, também, permitir que ele se abra. Tudo isso é tangibilizado em um olhar compreensivo, uma palavra de afeto, um gesto de valorização e incentivo, etc.


Neste momento, o acolhimento passa especialmente por dar voz para alunos e professores contarem suas vivências durante a pandemia, compartilharem suas ansiedades e receios para que, a partir disso, se consiga criar uma nova dinâmica mais acolhedora para todos.


No ambiente escolar, o acolhimento emocional é um alicerce importante na construção de relações melhores entre membros da equipe e entre eles e os alunos, os pais, a comunidade.


O acolhimento é essencial para que alunos e educadores desenvolvam e fortaleçam o senso de pertencimento, que é peça importante para evitar situações como desmotivação, absenteísmo e a evasão - problema esse que cresceu bastante durante a pandemia, conforme dados do Unicef.


Com o acolhimento, ainda, o aluno irá se sentir mais à vontade para refletir sobre o seu desenvolvimento e seus objetivos. E isso está diretamente associado a competências estabelecidas na BNCC, especialmente as socioemocionais.


Assim, é crucial planejar iniciativas direcionadas à dimensão emocional e ao bem-estar integral dos alunos e professores.


José Pacheco, renomado educador português, afirma que a “escola não é um edifício, escola são pessoas”. Com isso em mente, os gestores, especialmente neste momento, precisam ter sensibilidade para humanizar ainda mais o ambiente escolar, promovendo o acolhimento emocional por meio de escuta ativa, apoio nas necessidades para o retorno, abrindo espaços para conversas, sugestões, sanar dúvidas, para ouvir e acolher em seus gestos e falas, para tecer teias de apoio e que retroalimentam o acolhimento, de modo que todos consigam colaborar e cocriar soluções adequadas, seguras e sensíveis a este momento.


E você, concorda que o foco agora deve estar no acolhimento? Como sua escola ou rede está se organizando para o retorno das atividades? Deixe sua mensagem nos comentários.


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