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3 atividades para combater o bullying nas aulas de Educação Física

  • Foto do escritor: Wellington Santos
    Wellington Santos
  • 28 de out. de 2024
  • 4 min de leitura
Professor conduzindo alongamento em círculo com os alunos na quadra da escola durante aula de Educação Física.

Um aluno que evita a quadra no dia da aula de Educação Física. Um grupo que exclui sempre o mesmo colega na hora de formar os times. Uma “brincadeira” que se repete toda semana e sempre mira o mesmo estudante. Esses sinais costumam aparecer no ginásio antes de chegar à sala da coordenação, e é o professor de Educação Física quem primeiro tem a chance de perceber e agir.


A disciplina reúne condições que tornam o bullying mais visível e, ao mesmo tempo, mais fácil de disfarçar como brincadeira. O contato físico é constante, as habilidades de cada estudante ficam expostas diante da turma inteira, e a forma tradicional de escolher times revela hierarquias sociais que a escola deveria desfazer, não reforçar.


Segundo Botelho e Souza (2007), o bullying reúne um conjunto de comportamentos agressivos que muitas vezes se escondem sob a forma de brincadeiras ou apelidos, o que exige sensibilidade do educador para identificar o que está de fato acontecendo entre os estudantes envolvidos. A Lei nº 13.185/2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática nas escolas brasileiras, reforça esse ponto ao definir a prática como um ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo, que ocorre em uma relação de desequilíbrio de poder entre quem agride e quem é agredido. A mesma lei atribui à escola o dever de capacitar docentes e adotar medidas de prevenção, não apenas de reagir depois que o dano já ocorreu.


Em resumo

  • A Educação Física concentra fatores de risco específicos para o bullying: contato físico constante, exposição de habilidades e formação de times por hierarquia.

  • Três atividades ajudam a prevenir e reduzir esses episódios: dinâmicas cooperativas, rodas de conversa sobre respeito e monitoramento ativo com intervenção imediata.

  • Identificar um caso é só o primeiro passo. A escola precisa de um protocolo claro para agir depois, envolvendo a família e a coordenação pedagógica.


Por que a Educação Física é um ponto sensível para o bullying escolar

Poucas disciplinas colocam o corpo, a habilidade física e a comparação entre colegas tão em evidência quanto a Educação Física. Um estudante com menos coordenação motora, sobrepeso, alguma deficiência física ou simplesmente menos familiaridade com um esporte específico pode se tornar alvo justamente no momento em que deveria estar se exercitando e se divertindo com a turma.


A forma como o professor organiza a aula interfere diretamente nessa dinâmica. Escolher os times por meio de capitães que selecionam colega por colega, por exemplo, expõe publicamente quem é visto como “mais fraco” pelos próprios estudantes, reforçando exatamente a hierarquia que favorece o bullying. Pequenas decisões de organização de aula, portanto, já funcionam como prevenção ou como gatilho.


3 atividades práticas para prevenir e combater o bullying nas aulas


1. Dinâmicas de grupo e jogos cooperativos

Substitua, sempre que possível, atividades de eliminação e competição acirrada por jogos em que a turma inteira precisa colaborar para alcançar um objetivo comum, como revezamentos em que a equipe só avança se todos os integrantes concluírem sua etapa, ou desafios em que os estudantes precisam combinar uma estratégia antes de começar a jogar. Formar os grupos por sorteio ou por critério definido pelo professor, em vez de deixar a escolha nas mãos dos próprios alunos, evita que a mesma hierarquia social de sempre se repita a cada aula.


2. Rodas de conversa sobre respeito e inclusão

Reserve alguns minutos antes ou depois da atividade física para discutir, de forma direta e sem tom de sermão, o que é respeito, o que é brincadeira e onde termina uma coisa e começa a outra. Vídeos curtos, situações hipotéticas ou casos reais, sem expor nenhum estudante da turma, ajudam a abrir a conversa. O objetivo não é apenas alertar sobre o problema, mas criar um espaço em que os próprios estudantes se sintam à vontade para relatar o que observam, inclusive quando não são diretamente as vítimas.


3. Monitoramento ativo e intervenção imediata

Durante a aula, isso significa circular pela quadra em vez de observar de um único ponto fixo, e prestar atenção especial aos momentos de formação de grupos e aos estudantes que costumam ficar isolados. Quando um sinal de bullying aparece, a intervenção precisa ser imediata: parar a atividade, conversar em separado com quem agride e com quem sofre a agressão, e deixar claro, com regras já combinadas previamente com a turma, que aquele comportamento tem consequência. Regras estabelecidas com antecedência, e não inventadas no calor do momento, tendem a ser levadas mais a sério pelos estudantes.


Como agir quando um caso é identificado

Perceber o episódio durante a aula é apenas o primeiro passo. A Lei nº 13.185/2015 recomenda que a punição do agressor seja, sempre que possível, substituída por mecanismos que promovam mudança de comportamento, o que na prática escolar costuma significar conversa, acompanhamento e envolvimento da família, não apenas suspensão. Vale registrar o episódio, informar a coordenação pedagógica e, quando necessário, acionar a família de ambos os estudantes envolvidos, além de encaminhar o caso para acompanhamento psicológico ou pedagógico quando a gravidade exigir. Tratar o episódio isoladamente, sem repassar a informação para o restante da equipe escolar, é um dos motivos pelos quais o mesmo padrão de bullying costuma se repetir sem que ninguém perceba a reincidência.


Perguntas frequentes

O que caracteriza bullying nas aulas de Educação Física?

Comportamentos agressivos repetidos e intencionais, muitas vezes disfarçados de brincadeira ou apelido, que ocorrem numa relação de desequilíbrio de poder entre estudantes, como define a Lei nº 13.185/2015.


Jogos cooperativos substituem totalmente os jogos competitivos?

Não é necessário eliminar a competição da Educação Física. O objetivo é equilibrar atividades competitivas com dinâmicas cooperativas, para que nenhum estudante seja constantemente colocado na posição de “o mais fraco” da turma.


Como identificar sinais de bullying durante a aula?

Estudantes que evitam determinada atividade, grupos que sempre excluem o mesmo colega na formação de times, apelidos que se repetem e mudanças de comportamento de um estudante específico costumam ser os primeiros sinais.


O que a escola deve fazer além da ação do professor em quadra?

Registrar o episódio, informar a coordenação pedagógica, envolver a família dos estudantes e, quando necessário, encaminhar para acompanhamento psicológico, conforme prevê o Programa de Combate à Intimidação Sistemática.



Autor: Wellington Santos é educador, possui licenciatura em Educação Física e MBA em Gestão Empresarial.


 


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